O que o Google Ads anunciou
A novidade, divulgada em agosto de 2026, faz parte das campanhas Performance Max, o formato automatizado do Google Ads que distribui um mesmo anúncio em vários espaços da plataforma — pesquisa, YouTube, Discover, Gmail e a rede de display. Até então, quando um anunciante subia apenas um vídeo em formato horizontal, esse anúncio ficava de fora de posições que exigem formato vertical ou quadrado, simplesmente porque faltava uma versão compatível. Com a atualização, o próprio Google usa Inteligência Artificial generativa para pegar o vídeo enviado e criar automaticamente as variações de proporção que estão faltando, preenchendo essas lacunas sem que o anunciante precise subir arquivos extras. O resultado declarado pela plataforma é que o mesmo anúncio passa a concorrer por mais espaços e formatos dentro do ecossistema do Google, sem trabalho manual adicional de edição por parte de quem está anunciando.
Por que o formato de vídeo virou um problema para quem anuncia
Nos últimos anos, o consumo de vídeo migrou fortemente para o formato vertical em tela cheia, seguindo o padrão popularizado por redes sociais de vídeos curtos. Isso colocou qualquer anunciante numa encruzilhada: para aparecer bem tanto em telas verticais quanto em espaços horizontais tradicionais, seria preciso produzir e editar múltiplas versões do mesmo vídeo, cada uma cortada e ajustada para uma proporção diferente. Esse trabalho de reedição costuma ser terceirizado para editores de vídeo ou agências, e cada versão extra representa mais tempo e mais custo. Para empresas grandes, com equipe de marketing dedicada, isso é apenas mais uma etapa do processo. Para o pequeno negócio, que muitas vezes não tem verba nem tempo para contratar edição profissional, esse obstáculo prático era, na prática, um motivo real para simplesmente não experimentar anúncios em vídeo — mesmo sabendo que o formato costuma prender mais atenção do que uma imagem estática.
O que muda na prática para o pequeno negócio
Com a IA cuidando da adaptação de formato, o dono de um salão de beleza, de uma clínica odontológica, de uma oficina mecânica ou de um restaurante de bairro pode gravar um único vídeo — mostrando o ambiente, um antes e depois, um prato sendo preparado ou um depoimento rápido de cliente — e deixar que o próprio Google gere as versões necessárias para aparecer em diferentes formatos de tela dentro da campanha. Isso reduz a etapa que mais afastava pequenos negócios de anúncios em vídeo: a produção de múltiplas versões editadas. Uma loja de roupas, por exemplo, pode gravar um vídeo mostrando peças novas chegando e usar esse mesmo material tanto em posições horizontais quanto verticais da campanha, sem precisar recortar a cena manualmente em outro formato para cada canal. O efeito prático é abrir uma porta de entrada mais barata para o formato de vídeo, que até aqui era tratado como algo reservado a negócios com orçamento de marketing maior.
Menos desculpa para não gravar o primeiro vídeo
Um dos maiores motivos citados por pequenos empresários para evitar anúncios em vídeo nunca foi a falta de câmera — praticamente todo celular hoje grava em qualidade suficiente para um anúncio simples e direto. O motivo real costuma ser o trabalho de pós-produção: cortar, legendar, redimensionar para cada rede e cada formato. Ao tirar essa etapa de redimensionamento das mãos de quem anuncia, o Google desloca o esforço necessário para o que realmente importa em um bom anúncio em vídeo: um roteiro claro, uma primeira cena que prenda atenção nos primeiros segundos, e uma chamada para ação direta, como agendar um horário, pedir um orçamento ou visitar a loja. Isso significa que negócios pequenos podem, pela primeira vez, competir em formato de vídeo usando gravações simples feitas com celular, sem depender de um profissional de edição para cada variação de tela — desde que o vídeo original já tenha um mínimo de cuidado em enquadramento, iluminação e áudio.
Checklist para gravar um vídeo pronto para a IA redimensionar
- Grave na maior resolução possível do celular e evite vídeos tremidos ou com áudio abafado, já que a IA adapta o formato, mas não corrige qualidade técnica ruim.
- Mantenha o elemento principal — rosto, produto ou letreiro da loja — centralizado na cena, porque cortes automáticos para vertical tendem a cortar as laterais da imagem.
- Evite colocar texto ou logotipo colado nas bordas do vídeo; deixe uma margem de segurança para não correr o risco de o texto ser cortado em outro formato.
- Grave um plano com um pouco mais de enquadramento aberto do que o necessário, dando à IA espaço de sobra para recortar sem cortar informação importante.
- Prefira cenas com poucos elementos em movimento simultâneo, o que facilita a adaptação automática para proporções diferentes sem gerar cortes estranhos.
- Grave em boa iluminação natural, de preferência de dia, já que vídeos escuros tendem a perder qualidade ainda mais quando redimensionados.
- Faça uma versão de teste com um vídeo curto de 15 a 30 segundos antes de investir tempo em produções mais longas e elaboradas.
O que a IA não resolve sozinha
É importante entender os limites dessa novidade antes de depositar expectativa demais nela. A Inteligência Artificial generativa do Google Ads adapta a proporção e o enquadramento do vídeo para preencher formatos que estejam faltando — ela não cria um vídeo do zero, não melhora a qualidade de um áudio ruim, não conserta uma gravação tremida e não escreve um roteiro melhor para o negócio. Se o vídeo original enviado for confuso, mal iluminado ou sem uma mensagem clara sobre o que o negócio oferece, a versão redimensionada automaticamente vai carregar exatamente os mesmos problemas, só que em outro formato de tela. Também existe o risco de cortes um pouco estranhos em cenas muito cheias de elementos, especialmente quando o assunto principal do vídeo não está centralizado. Por isso, o recurso deve ser entendido como uma forma de aproveitar melhor um vídeo já bem gravado — e não como um substituto para pensar com cuidado no que vai ser mostrado nos primeiros segundos do anúncio.
O cenário no Brasil: custo de produção e concorrência
No mercado brasileiro, contratar um editor de vídeo freelancer para produzir versões horizontais, verticais e quadradas de um mesmo anúncio costuma representar um custo recorrente que pequenos negócios preferem simplesmente não ter, ficando de fora do formato de vídeo em campanhas pagas mesmo quando reconhecem seu potencial. Empresas maiores, com agência de marketing contratada ou equipe interna, já absorviam esse custo como parte natural da operação. Ao automatizar a etapa de redimensionamento diretamente dentro do Google Ads, a plataforma reduz essa vantagem estrutural que negócios grandes tinham sobre os pequenos. Um pequeno comércio, uma clínica de estética ou uma escola de idiomas de bairro passam a ter acesso à mesma capacidade de adaptação de formato que antes exigia investimento em produção audiovisual. Isso não elimina a necessidade de pensar em estratégia e mensagem, mas remove uma barreira técnica que, na prática, sempre pesou mais para quem tem orçamento menor de marketing.
O que esperar dos próximos passos em automação de anúncios
Essa atualização do Google Ads se soma a uma tendência mais ampla de plataformas de anúncios usando Inteligência Artificial generativa para reduzir o trabalho manual de produção de criativos — seja gerando variações de texto, testando diferentes imagens automaticamente ou, agora, adaptando formatos de vídeo. A expectativa razoável é que esse tipo de automação continue avançando, cobrindo outras etapas que hoje ainda exigem intervenção humana, como ajuste de legendas, geração de variações de roteiro ou combinação automática de cenas. Para o pequeno negócio, o ponto de atenção não é tentar prever cada novidade futura, mas acompanhar de perto os recursos que já estão disponíveis dentro das ferramentas que já usa — muitas vezes esses recursos chegam silenciosamente, sem aviso, dentro do próprio painel do Google Ads, e ficam sem uso simplesmente porque ninguém percebeu que estavam lá.
Como testar essa novidade dentro do Google Ads
Para experimentar o recurso, o caminho é entrar em uma campanha Performance Max existente ou criar uma nova, acessar a seção de recursos criativos (assets) e subir um vídeo, mesmo que em apenas um formato de tela. O Google se encarrega de gerar as variações necessárias para preencher os formatos que faltarem, dentro dos limites técnicos da campanha. Vale acompanhar o relatório de desempenho por recurso dentro do próprio Google Ads para entender quais versões do vídeo — e em quais formatos — estão performando melhor, já que isso ajuda a entender se vale a pena investir em uma segunda gravação original ou se o vídeo atual já está sendo bem aproveitado. Como em qualquer novidade de campanha automatizada, o recomendável é começar com um orçamento de teste controlado, observar o desempenho por pelo menos algumas semanas e só então decidir se vale a pena ampliar o investimento nesse formato de anúncio.
Vale ler na sequência como conseguir mais clientes com ia e o que é taxa de conversão para transformar essa tendência em ação no seu dia a dia.
Quando vale a pena não fazer sozinho
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